HARAMBEE NA COSTA DO MARFIM

Nos primeiros dias de agosto de 2015, nove membros da equipa internacional de Harambee – quatro italianos, uma suíça, uma espanhola, duas francesas e uma portuguesa – deslocaram-se à Costa do Marfim, para conhecerem in loco um dos projetos apoiados este ano: o esforço levado a cabo pelo Centro Ilomba de Educação Rural no sentido de dar formação e prestar cuidados de saúde aos habitantes da zona de Bingerville.

CENTRO RURAL ILOMBA – Bingerville

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Localizado numa zona de palmares onde até muito recentemente não havia estrada, Ilomba serve oito aldeias em seu redor, onde as condições de vida são extremamente primitivas.

 Na sua função de dispensário, o centro oferece consultas pré-natal, vacinação das crianças e tratamentos de malnutrição. As mulheres vêm de grandes distâncias e circulam quase sempre a pé (com as crianças ao colo), de maneira que a deslocação ao dispensário lhes ocupa quase um dia. Por esta razão, um dos items orçamentado no projeto era a compra de um veículo todo-o-terreno que permitisse dar assistência às pessoas nas aldeias. Assim, a partir deste ano, todas as quintas-feiras uma equipa composta por uma assistente social e uma profissional de saúde se desloca a uma aldeia, evitando as deslocações das pacientes.

As consultas e as vacinas no Centro têm lugar uma vez por semana.

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Como se trata de populações muito pobres, o valor da consulta é muito baixo, cerca de 1,00 euro. O tratamento da malnutrição também é pago: as mães desembolsam cerca de 2,00 euros por mês pelos suplementos nutricionais que o dispensário fornece. Mesmo assim, algumas têm dificuldade em pagar estes valores (que estão muito abaixo do seu real preço de custo), pelo que o financiamento de Harambee permitiu fornecer os suplementos alimentares de forma gratuita, fazendo aumentar o número de crianças que aproveitam este programa de luta contra a malnutrição.

Ao mesmo tempo, Ilomba dá formação a estas mães, dando-lhes a conhecer maneiras mais eficazes de usar os produtos alimentares a que têm acesso, a fim de que os filhos não cheguem à situação de malnutrição.

h2A outra grande aposta do Centro Ilomba é a formação de jovens e mulheres, com o objetivo de que, por um lado, completem a sua instrução escolar e, por outro, adquiram competências numa área profissional que lhes permita aumentarem um pouco o sustento que o trabalho rural lhes proporciona.

Assim, o Centro oferece um curso de alfabetização a raparigas que não chegaram a frequentar a escola ou não tiveram aproveitamento escolar. Para tornar este curso mais atrativo, quer para as jovens, quer para os pais – que normalmente consideram que a formação escolar das filhas é dispensável –, complementa o trabalho dos livros com um curso de pastelaria, que lhes dê uma ferramenta profissional.

Outra área de formação é a costura, neste caso normalmente para mulheres.

h7O curso ocupa-as três manhãs por semana, durante um ano. Começam por aprender os pontos à mão, passando depois a usar a máquina; em seguida, aprendem a cortar e, para o final do curso, fazem os seus próprios fatos, com que vêm vestidas para a escola.

Qualquer destas atividades é paga pelas alunas, porque Ilomba tem a convicção de que uma formação que não é paga não é valorizada. Assim, as alunas do curso de alfabetização e pastelaria pagam cerca de 25,00 euros por ano (normalmente a prestações) e as alunas do curso de costura cerca de 4,00 euros por mês, com todo o material incluído. Naturalmente que estes valores não cobrem os custos desta formação, pelo que o apoio de Harambee a estes projetos foi de grande valia.

Victorina é uma das alunas. Mãe de quatro filhos, está a terminar o curso e quer abrir um negócio na sua aldeia. Conta com a máquina de costura, que a escola lhe oferece no final do ano, e está convencida de que vai conseguir arranjar clientes, porque na sua aldeia não há muita gente a dedicar-se a esta atividade.

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A equipa de Harambee conseguiu perceber que o Centro Rural Ilomba tem um impacto muito significativo na vida destas populações. O terreno foi oferecido à entidade promotora pelos chefes das tribos circundantes, que são os proprietários, nos anos 90 do século passado, e a construção começou alguns anos depois, à medida que foi sendo possível obter financiamento, ficando as obras concluídas em 2002.

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