Centro médico-social Walé

Yamoussoukro, localizada a cerca de 240 km da capital, Abidjan, é a segunda cidade da Costa do Marfim. É aqui que fica situado o Centro Médico-Social Walé, um hospital de dia que iniciou a sua atividade em outubro de 2004, apenas com um médico uma enfermeira, e que já contou com o apoio de Harambee Internacional.

Num país onde as carências em matéria de saúde são enormes, e onde os utentes dos hospitais públicos têm de pagar tudo, incluindo o sangue, as gazes e o tempo que passam na sala de espera, Walé pretende oferecer serviços médicos de boa qualidade a preços reduzidos.

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Neste hospital, as consultas dos adultos custam cerca de 1,50 euros e as das crianças 0,75 euros. Sendo pouco, ainda é muitíssimo para alguns deles, e está longe de financiar os custos reais dos serviços prestados, mesmo com cerca de 500 doentes por semana e uma média de 25.000 consultas por ano. O hospital conta ainda com um laboratório, onde se fazem mais de 40.000 análises por ano, com serviço de imagiologia, que realiza 3500 radiografias e ecografias, e ainda com cuidados de enfermagem e uma farmácia que vende os medicamentos a um preço inferior ao seu preço habitual.

Por isso, Walé é permanentemente deficitário, e anda constantemente à procura de apoios que lhe permitam manter-se e remunerar os seus 36 colaboradores efetivos; por exemplo, o equipamento de imagiologia e o laboratório de análises foram fruto de doações da cooperação europeia.

O que mais impressiona o visitante assim que entra em Walé é a ordem e o asseio (sobretudo depois do choque que é a visita a um hospital público). Os doentes são recebidos por uma assistente, que faz uma rápida triagem, de acordo com as queixas, e os envia para a sala de espera, mesmo ao lado. Em seguida, são atendidos por um dos nove médicos, residentes ou eventuais, das especialidades de clínica geral, pediatria e ginecologia.

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Uma das queixas mais comuns é a malária, que ainda mata mais de um milhão de africanos por ano. É frequente as pessoas chegarem a Walé num estado bastante depauperado – porque a malária afeta terrivelmente as forças físicas –, depois de terem percorrido a pé os vários quilómetros que separam a aldeia onde vivem deste centro médico.

Outra das valências deste hospital é o atendimento a doentes com VIH/Sida, nomeadamente em fase pré-natal, com tratamentos específicos destinados a evitar o contágio da mãe para a criança. Em 2005, Walé atendeu mais de 2500 doentes com VIH/Sida.

O hospital conta neste momento com a colaboração de dois doutorandos de medicina, e com uma internista que está a fazer a especialidade de ginecologia. Rose Segla trabalha em Walé cinco dias por semana, e estuda em Bouaké, uma cidade localizada a cerca de 100 km de Yamoussoukro, onde há hospital universitário. Concluída a especialidade, tenciona continuar a trabalhar neste centro hospitalar.

 

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Yamoussoukro é uma cidade bastante mais pequena e mais calma que Abidjan, com avenidas largas e pouco que fazer. Os habitantes dedicam-se essencialmente a uma agricultura muito básica, pouco mais que de subsistência, e vendem os seus produtos no mercado local.

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Dispõem por isso de muito poucos meios, e proporcionar-lhes cuidados de saúde de qualidade a um custo que lhes seja acessível é um sonho que só pode ser realizado com apoios exteriores.

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