O QUE MUDOU NA VIDA DOS FORMANDOS DE “O VIVEIRO”

2013 foi o ano do primeiro contacto de HARAMBEE INTERNACIONAL com O VIVEIRO.

O projeto financiado nesse ano, EMPREENDEDORISMO E APRENDIZAGEM PARA JOVENS EM CHITIMA, abrangeu: 20 raparigas entre os 12 e os 17 anos, que viviam nas instalações de O VIVEIRO; 70 crianças em idade escolar que viviam nos bairros de Boroma e Cawira; 15 famílias completas.

Graças a esse projeto, a vida de alguns habitantes da zona de Chitima, em Tete (norte de Moçambique), mudou radicalmente.

O Viveiro 2013 1 O Viveiro 2013 2 O Viveiro 2013 3

Joaquim João, 45 anos, 5 filhos

Através da formação que recebi, aprendi a ser carpinteiro. Agora já posso realizar portas, cadeiras, mesas. Com o dinheiro que recebi com a venda dos meus produtos, comprei uma bicicleta e chapa para cobrir a minha casa. A minha família também entrou na formação. A maioria de nós conseguiu ter um trabalho, um salário.

Queria construir uma casa para alugar, para ter uma renda para a minha família.

Joaquim faleceu em 2015, com uma doença no fígado. Uma das filhas, Paciência, de 8 anos, foi acolhida nO Viveiro.

 

Liliana, 16 anos, aluna da 10.ª classe

Tive a oportunidade de estudar. Algumas vezes os nossos professores não se apresentam na escola [escola pública], outras vezes não explicam nada. No centro O Viveiro aprendi a ler e escrever. Quando cheguei eu só sabia falar a língua das aldeias e, durante as aulas na escola, eu não entendia nada. Aprendi a cozinhar, a cuidar dos animais, a lavar e engomar a minha roupa. Receber uma formação é muito importante. Aprendi também a não bater as outras, a responder bem.

Queria fazer bolos e biscoitos, ter uma loja – restaurante. Gostaria de ser cozinheira.

Liliana já realizou este sonho, e vai ser uma das formadoras juniores do projeto de 2016/2017

 

Remígio Chapassuca, 40 anos, casado, 2 filhos

Entrei no projeto como formador, para ensinar às raparigas a cortar e coser tecidos, com máquina e com agulha de mão. Ensinei também como acolher clientes, como cumprimentar, como medir e tomar notas das medidas, como gerir uma alfaiataria. O projeto deu-me a possibilidade de ensinar. Eu nunca consegui ensinar, porque não tinha recursos suficientes para sustentar a minha família. Espero que as raparigas e os jovens que estou a formar possam alcançar um nível mais elevado daquilo aonde eu cheguei. Com os jovens temos uma produção que pode garantir mais ganho para nós todos que estamos envolvidos na produção. Espero também de construir uma alfaiataria. A vila de Chitima mudou muito. Estamos todos a ver e acreditar que cada um de nós tem a ocasião de crescer e evoluir. Desde o início, o projeto foi bem-vindo, porque tratava-se de um projeto comunitário em que todos os membros da comunidade podiam participar. O projeto começou com a ideia de acolher e formar meninas necessitadas da província de Tete, mas, em pouco tempo, tornou-se num projeto de desenvolvimento para todas as famílias de Chitima.

O meu sonho é abrir uma alfaiataria em Chitima e logo a seguir em Tete. Alguns produtos realizados no âmbito da formação na costura chegaram até Itália, até Roma. Para nós foi uma grande alegria ver que as pessoas no estrangeiro gostavam das coisas que estamos a fazer aqui, em Chitima.

 

Rivaldo Cheva Francisco, 36 anos, casado, 4 filhos

Participei no projeto O Viveiro desde o primeiro dia. Entrei nos cursos de formação com o primeiro grupo de formandos. Agora sou responsável de uma loja. Aprendi como organizar a loja, as atividades de compra e venda dos materiais, a contabilidade, a gestão do armazém. Aprendi também a trabalhar com computador e tirar e imprimir fotografias. Estou a trabalhar com alguns jovens, aos quais estou a ensinar tudo aquilo que eu aprendi. A minha família recebeu muitos benefícios. A minha vida e a dos meus filhos mudaram muito. Tive também a possibilidade, graças a formação que recebi e ao trabalho que estou a fazer, de acolher, na minha casa, 4 crianças do meu irmão falecido. Todas as crianças estão a estudar. Eu também queria voltar outra vez a estudar. O meu pai faleceu quando eu era ainda muito jovem e fui obrigado a deixar de estudar para começar a trabalhar para ajudar a minha família.

Antes eu trabalhava só alguns dias, um dia aqui, outro dia ali. Eu gastava muito tempo a beber, com os meus amigos. Agora é diferente.

 

Artur Gobue, 41 anos, 2 filhas

Com a minha esposa e as minhas filhas aprendemos a fazer sumos, comprámos um congelador e começámos uma atividade comercial. Estou a ajudar também os meus pais, através do dinheiro que estou a ganhar.

Espero de realizar uma casa, para as minhas filhas.

Artur faleceu em 2015, em consequência do HIV-SIDA

 

Lúcia Meque Muzuza, 55 anos, casada, 6 filhos, 7 netos

Participar no projeto deu-me a possibilidade de transmitir para outras pessoas a formação que eu recebi [Lúcia é professora reformada e formadora de O Viveiro]. Acho muito importante contribuir ao desenvolvimento das raparigas, porque elas serão chamadas a ser mulheres, esposas, mães.

O projeto ajudou muito a comunidade para que pudesse ver que a rapariga bem acompanhada pode avançar na formação mais do que se pensava. As pessoas da comunidade pensavam que ao chegar à adolescência a rapariga só podia juntar-se com um homem e começar a ter filhos. O nosso projeto mostrou a todos, concretamente, que as raparigas podem ter um percurso diferente. E os benefícios deste percurso diferente são para a comunidade toda.

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