OS PROTAGONISTAS DO PROJETO «O VIVEIRO»

O projeto O VIVEIRO, que HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer ajudar a financiar em 2016, tem como protagonistas algumas meninas formadas nesta instituição, cada uma com uma história de vida muito própria, que serão as formadoras juniores deste projeto.

Lúcia Hélder José Modesto é, de entre todas as meninas acolhidas em O VIVEIRO, a que tem um passado mais complicado. Lucinha tem 16 anos e nasceu em Tete, no norte de Moçambique. Quando foi morar para O VIVEIRO tinha 11 anos, era órfã de mãe e o pai tinha ido morar para Maputo com os filhos mais velhos, deixando-a com os pais dele. Como os avós maternos começassem a requerer a criança, os avós paternos só lhe permitiam sair de casa à noite, para trabalhar como escrava. Lucinha viveu vários anos fechada em casa e assistiu a episódios de grande violência, de tal maneira que tem uma lesão no coração.

viveiro

Quando foi morar para O VIVEIRO, e durante alguns anos, se ralhavam com ela na escola, tinha uma reação estranha, que a obrigava a deitar-se durante várias horas num estado de quase coma, com o coração a bater muito devagar e a respiração muito lenta. Graças aos cuidados que recebeu em O VIVEIRO, esta situação evoluiu para melhor, embora Lucinha continue a ter problemas de coração.

Quando começaram as aulas de costura, orientadas pelo Sr. Remígio (que vai ser formador sénior do projeto de 2017), Lucinha percebeu que queria ser costureira. Aplicou-se nas aulas e aprendeu a cortar e a coser à mão e à máquina, fazendo pegas, aventais, sacolas, chapéus e outros objetos. Percebeu também que gostava de ensinar o que tinha aprendido, acompanhando o trabalho das mais pequenas. Atualmente, é ela que organiza o espaço de costura de O VIVEIRO, quem marca os preços dos produtos para venda, e vai ser formadora júnior em 2017. Além disto, prossegue os estudos na escola secundária de Chitima, onde tem aproveitamento.

Lucinha, que descobriu que os materiais africanos têm tanto valor como os europeus, e cujo maior desejo é «ter uma vida normal», sonha fazer da costura um modo de vida – seja vendendo os seus produtos, seja como formadora –, e uma maneira de contribuir para a subsistência de O VIVEIRO.

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