AGÊNCIA ECCLESIA NOTICIA PRÉMIO HARAMBEE

A Agência Ecclesia noticiou ontem o 7.º PRÉMIO HARAMBEE COMUNICAR ÁFRICA, que tem como objetivo divulgar uma imagem que reflita os conflitos, mas também as esperanças,
a riqueza e a diversidade das culturas e dos povos africanos, a fim de promover o conhecimento de um continente que é um bem para todos nós.

Podem concorrer a este Prémio, nas suas duas modalidades, profissionais da comunicação social e jovens até aos 25 anos. O prazo de entrega das candidaturas termina a 30 de setembro.

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HISTÓRIAS BREVES DE MAIS ALGUMAS BENEFICIÁRIAS DO CABAZ MAMÃ

Judith, de 33 anos, tem um negócio de água potável em sacos para arredondar os fins de mês. O marido é militar e vivem numa zona muito isolada do bairro Masanga-Mbila, na comunidade de Mont Ngafula. Têm três filhos, de 2, 5 e 7 anos. Os dois mais velhos vendem chupetas na lota, e assim contribuem para o rendimento da família.

Judith teve os primeiros três filhos num centro do bairro, correndo por isso graves riscos, tanto para si, como para os bebés. Graças a uma amiga da igreja, soube da existência do programa Cabaz Mamã. Juntamente com o marido, decidiu beneficiar dos cuidados oferecidos e, desse modo, garantir o parto do quarto filho nas melhores condições. Frequentando o centro Eliba, recebeu durante toda a gravidez os cuidados necessários para si e para o bebé.

Três semanas antes da data prevista para o parto, sofreu um grave acesso de febre, devido à malária. Foi hospitalizada em Monkole e quatro dias depois nasceu uma menina, Candice, por cesariana. A pequena Candice nasceu de boa saúde e voltou para casa ao fim de três dias, tendo a mãe ficado ainda no hospital para receber tratamento.

Mimi, de 22 anos, vive em casa dos pais. A família tem um rendimento muito baixo e vive em condições bastante difíceis. O pai trabalhou durante algum tempo como segurança numa empresa local, mas perdeu o emprego quando a empresa fechou. Graças a uma tia, Mimi frequenta um curso de costura, o que lhe permite ganhar algum dinheiro com os trabalhos que faz para as clientes do bairro. Nunca frequentou a escola e aprendeu a ler com os amigos. Tem um filho de 2 anos, que nasceu num hospital, mas a correspondente fatura ainda está por saldar.

Quando ficou novamente grávida, Mimi aderiu ao programa Cabaz Mamã pedindo para pagar a sua parte em prestações, como lhe haviam aconselhado as enfermeiras de Kimbondo. No 5.º mês de gravidez, pagou a última parte do total de 50 euros que o programa exige às mulheres que a ele aderem.

Dado que vivia num bairro muito isolado, não pôde dirigir-se ao hospital quando as dores de parto começaram. Como foi obrigada a esperar pela manhã do dia seguinte para conseguir atravessar as ravinas que a separam de Monkole, a criança inalou líquido amniótico. Ao chegar, foi rapidamente conduzida ao serviço de Neonatologia para receber os cuidados necessários e, ao fim de cinco dias de acompanhamento da mãe e do bebé, a família voltou para casa. O custo de todos estes cuidados foi o previamente combinado: apenas 50 euros.

Filha única, Sandrine, que vende fruta da época na rua, ficou órfã de pai aos dois anos. Tem dois filhos, cujo pai é vendedor de produtos de charcutaria na lota. Vivem no bairro Herady, na área de saúde comunitária abrangida por Selembao onde passam por muitas dificuldades, sendo a falta de água potável uma das principais. O bairro também não possui estradas alcatroadas, o que torna difícil o acesso à cidade.

Sandrine inscreveu-se no programa Cabaz Mamã para dar à luz em condições melhores do que tivera anteriormente. A fim de pagar o montante exigido pelo programa Cabaz Mamã, recorreu ao sistema de prestações, que lhe permitiu pagar cerca de 10 euros em cada consulta pré-natal. Só no último mês de gravidez perfez o montante de 50 euros.

Entrou no hospital no dia 10 de maio de 2016 e deu à luz o pequeno Jonathan a 12 de maio, por cesariana. Ao fim de cinco dias de hospitalização, regressou a casa com o seu terceiro filho nos braços.

PROJETO CABAZ MAMÃ REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

O PROJETO CABAZ MAMÃ, para o qual HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer contribuir este ano, já funciona há algum tempo, e tem trazido benefícios impressionantes às mulheres congolesas com maiores carências.

A Sra. Kalengela tem 41 anos e vende fruta no mercado. É casada com um professor primário e tem sete filhos. Os três filhos mais velhos, com 16, 15 e 13 anos, já saíram de casa dos pais para se fazerem à vida.

A média dos recursos mensais da família é de cerca de 100 euros.

Moram no bairro Herady, uma zona abrangida pelo Centro de Saúde MOLUKA, que é uma filial do Hospital de MONKOLE; é um sector muito isolado, situado numa depressão de terreno entre duas colinas.

Percorrem todos os dias mais de 3km para encontrar água potável.

É à luz de um candeeiro a petróleo que os filhos mais pequenos fazem os trabalhos da escola.

 

A Sra. Kalengela com os dois filhos, que nasceram saudáveis graças ao programa CABAZ MAMÃ

 

Toda a família frequenta o Centro de Saúde MOLUKA.

Numa informação porta a porta, a Sra. Kalengela ficou a conhecer o programa CABAZ MAMÃ, e aderiu imediatamente, embora tivesse dificuldade em pagar os 50 euros que são a participação da mulher neste programa.

Dois dias antes da data prevista para o parto, sofreu uma rutura pré-uterina quando estava em casa. Foi necessário enviar uma ambulância equipada para a conduzir ao hospital e lhe proporcionar todos os cuidados necessários.

Deu à luz gémeos, um rapaz e uma rapariga – Chako e Omba (o nome que se dá aos gémeos na sua tribo) – no dia 3 de fevereiro de 2016.

Após três dias no hospital, onde receberam todos os cuidados pós-natais, mãe e filhos estavam de saúde, para alegria de toda a família, e regressaram a casa no dia 7 de fevereiro.

II NOITE DE FADOS HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL

No passado dia 11 de fevereiro decorreu a II Noite de Fados Harambee África Portugal, desta vez no Arelho, em Óbidos. O evento contou com o esforço e a disponibilidades de muitas pessoas, organizadas pela Marta Roque Bilo, a Sofia Fonseca e a Margarida Santos. A Associação Cultural e Recreativa do Arelho, nas pessoas da Isabel, da Dulce Sousa e da Carla, apoiaram em tudo o que lhes foi solicitado.

fadista António Leitão aceitou o desafio e reuniu outros seis fadistas para abrilhantar a noite – Paulo Ribeiro, João Plácido, Cristina Cruz, Marcelino Ribeiro, Margarida Santos, Rogério Vieira –, bem como os guitarristas José Carlos Marona e Alberto Corga.

A sala encheu com a presença de mais de 260 pessoas, entre as quais tivemos o enorme gosto de contar com o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, cujo apoio a esta iniciativa agradecemos.

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O animado grupo juntou-se nesta noite solidária para angariação de fundos para os projetos que Harambee África Portugal quer apoiar em 2017: Projeto Cabaz Mamã, na Republica Democrática do Congo, e Projeto de Reinserção de Crianças e Jovens, no Togo.

O salão da Associação Recreativa do Arelho foi decorado para um verdadeiro ambiente de casa de fados, com as paredes forradas com quadros de fadistas e um palco muito florido. Este ambiente acolhedor resultou do generoso esforço de Fernanda Tanqueiro, Délia Mimoso, Sara Albano, Renata Albano, Jacinta Batista e Solange.

Após todos estarem sentados a degustar os petiscos, a vice-presidente de Harambee África Portugal, Sofia Marques apresentou a Associação Portugal e os projetos a apoiar em 2017, realçando a importância da aposta na saúde, com o acompanhamento de grávidas e recém-nascidos a partir do hospital de Monkole, com vista ao combate à mortalidade materno-infantil na República Democrática do Congo; bem como a aposta na formação e reinserção escolar e familiar de 40 crianças e 25 jovens de rua de Lomé, no Togo, dando-lhes ferramentas para poderem tornar-se profissionais independentes.

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Terminada a apresentação, apagaram-se as luzes e o ambiente aqueceu com os fados e os solos dos guitarristas. As participações dos artistas foram sendo intercaladas com o serviço de mesa, levado a cabo com o brio de voluntários como Camila Timóteo e colegas de escola, Alice Silva, Ana Margarida Evangelista, Délia Mimoso, e o grupo de jovens de Óbidos, que, diligentemente e sempre sorridentes, satisfizeram todos os pedidos de caldo verde, chouriço assado e vinho, entre outros acepipes.

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No fim da noite, satisfeitos com esta atividade solidária, alguns dos voluntários já estavam a pensar onde se poderá organizar a próxima Noite de Fados, um evento com verdadeiro espírito Harambee – Todos Juntos, Todos à Uma, em prol dos mais necessitados na comunidade global.

Harambee África Portugal agradecer igualmente ao fotógrafo Daniel Evangelista, à Casa de Fados de Santo Onofre Obiverde, a Anabela Pinto, que forneceu as plantas, à Judymeals, a Carla Cruz, Hélia Florista e Maria Margarida, sem quem este evento não teria sido possível, nem teria tido o brilho que efetivamente teve.

PROJETOS 2017

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HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL passou o ano de 2016 a dar-lhe a conhecer O Viveiro e o projeto que queríamos apoiar em 2017.

Graças a si, foi possível angariar uma parte importante do orçamento deste projeto, para o qual continuaríamos a trabalhar em 2017, contando também com o apoio de HARAMBEE INTERNACIONAL, que deu a sua aprovação ao projeto de O Viveiro.

Infelizmente, a situação política, social e económica que se vive atualmente em Moçambique tornou inviável a concretização a curto prazo dos sonhos das mesninas.

HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL entrevistou o Eng. Manuel Borges Abelho, moçambicano, coordenador de produção da instituição em Tete.

HAP – Eng. Abelho, conte-nos um pouco o que se passa em Moçambique.

MBA – Devido ao conflito político-militar que se regista em Moçambique, não existem condições seguras de movimentação de pessoas e bens de um lugar para outro. Como 90 % das matérias-primas necessárias para este projeto devem ser adquiridas em lugares distantes [embora nesta província], os necessários movimentos de pessoas acarretam muitos e graves riscos de vida.

HAP – Que mais dificuldades sentem?

MBA – Paralelamente ao conflito-político militar que se faz sentir em Moçambique desde o ano de 2015 [conflito que se agravou recentemente], existe outro grande problema, a crise financeira, que fez decrescer a economia moçambicana, criando uma carência ou ausência de divisas para o comércio interno e externo.

HAP – E que consequências tem esta situação para o projeto apresentado por O Viveiro?

MBA – Se avançássemos, teríamos de acarretar com perdas ou prejuízos [pondo em risco a instituição como um todo].

HAP – Decidiram por isso desistir do projeto?

MBA – Não desistimos. Continuamos a aguardar pelo melhor momento para a sua implementação.

Nestas condições, HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL decidiu aplicar os fundos angariados em outros dois projetos aprovados por HARAMBEE INTERNACIONAL para o ano de 2017.

São eles:

 

PROJETO CABAZ MAMÃ
República Democrática do Congo – Hospital Monkole

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Objetivo: reduzir as elevadas taxas de mortalidade materno-infantil através do acompanhamento de mulheres grávidas durante todo o processo da gravidez, no parto, e em possíveis problemas neonatológicos.

O acesso a consultas hospitalares e outros meios de diagnóstico e acompanhamento da mulher e do bebé é, em geral, muito reduzido nestas áreas; em consequência, a taxa de mortalidade das crianças e das mães é bastante elevada.

Com este projeto, pretende-se seguir um grupo de mulheres durante os 9 meses de gravidez, com uma consulta por trimestre, e facilitar-lhes as instalações do Hospital de Monkole para o parto, bem como a formação em higiene e alimentação e as vacinas do bebé.

Este acompanhamento tem o valor de 350 € por mulher com parto normal e 550 € com cesariana. Cada uma destas mães pagará 50 €, ficando os outros 300 € ou 500 € a cargo do Hospital de Monkole. Para este efeito, o Hospital de Monkole solicita um financiamento total de 40.000 €.

 

PROJETO DE REINSERÇÃO ESCOLAR E PROFISSIONAL DE CRIANÇAS E JOVENS DE RUA
Togo – Movimento MAREM

Objetivo: recolocar na escola (40 crianças) ou em escolas profissionais (25 jovens) crianças e jovens de rua entre os 8 e os 17 anos.

O Movimento de Ação para a Reinserção de Crianças Marginalizadas precisa de fundos para a aquisição de roupa e sapatos, e material escolar para as crianças que consegue reinserir nas respetivas famílias; de fundos para financiar o sustento e a formação profissional dos jovens que consegue instalar junto de mestres de formação profissional; e de fundos para os membros da associação acompanharem a formação destas crianças e destes jovens.

Para este efeito, o Movimento MAREM solicita um financiamento total de 18.000 €.