D. José Manuel Imbamba em Lisboa com o Harambee

Harambee África Portugal convidou o Arcebispo de Saurimo, D. José Imbamba,  para proferir uma conferência sobre a realidade da Igreja em Angola,  aproveitando a sua vinda a Lisboa, cumprindo assim  um dos objetivos da associação: Comunicar África. A conferência aconteceu no passado dia 25 de Agosto e esgotou a lotação do Auditório da Rádio Renascença, no Chiado. Depois de feitas as apresentações, Con 2D. José Imbamba tomou a palavra para dar a conhecer uma realidade de que alguns têm ideia pela experiência no terreno, e de que outros sabem apenas aquilo que a comunicação social vai passando. Com uma abordagem clara, ilustrada por imagens, D. José mostrou ter um conhecimento profundo e estruturado das diversas áreas e vertentes do seu país e concretamente do povo de quem é pastor. Numa região ilusoriamente rica, por ser a zona dos famosos diamantes angolanos, Saurimo, no norte de Angola, a fazer fronteira com a Republica Democrática do Congo, debate-se no entanto com alguns problemas que são comuns a outros pontos do país, como a falta de professores qualificados, o analfabetismo da população, e o excessivo apego às tradições. Esta questão é, segundo D. José Imbamba, «um verdadeiro obstáculo para o progresso espiritual e humano dos angolanos, uma vez que pelas crenças muito enraizadas se abrem as portas a muitos males e medos que provocam estagnação».

D. JoséA trabalhar em parceria com o Estado, alinhado na solução dos problemas mais prementes da sociedade como são a Saúde e a Educação, a Igreja em Angola não deixa contudo de se mostrar otimista, investindo concretamente na família e nas vocações.

Alguns números foram apresentados para não deixar margem de dúvida sobre as realidades desta Arquidiocese que está agora a celebrar os 40 anos de vida: 210 catequistas, 18 sacerdotes, 14 Religiosas e 59 seminaristas, para 64 mil católicos num universo de cerca de 516 mil habitantes.

Con 1No final, houve tempo ainda para responder a algumas perguntas do público que, pelas explicações do Arcebispo de Saurimo, ajudaram a conhecer mais um pouco este país africano, nomeadamente a deficitária rede dos media e a realidade do ensino universitário.

Todos os participantes neste encontro ficaram muito agradecidos pela presença de D. José Manuel Imbamba,  que trouxe muita sabedoria e conhecimento sobre Angola e soube assim Comunicar África como ela é na realidade, sem escamotear mas com muita esperança neste povo que diz ser  alegre e empenhado.

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Jantar/Conferência «A família africana, uma esperança de futuro»

IMG_4145Depois de devidamente instaladas as pessoas pelas várias mesas, e enquanto ia sendo servida a entrada do menu, tomou a palavra a presidente da direcção de Harambee África Portugal, Maria José Figueiredo, para explicar afinal do que se trata quando se fala precisamente de Harambee. Muitos dos presentes, trazidos por amigos, tiveram nessa noite o primeiro contacto com esta instituição, que é internacional e que começou num conjunto de donativos feitos por ocasião da canonização de S. Josemaria Escrivá, em 2002.

Já depois da IMG_4166sobremesa, foi a vez de o Prof. Eduardo Vera-Cruz, como tinha sido anunciado, falar sobre «A Família africana, uma esperança de futuro». Com bom humor e muita espontaneidade, este grande conhecedor da realidade africana explicou, entre muitas coisas, as grandes diferenças entre as famílias europeias e as africanas, sublinhando que estas últimas são sempre consideradas «grandes» na medida em que não se restringem ao núcleo mãe, pai e filhos mas englobam os avós, os tios e primos e demais graus de parentesco entre todos. Eduardo Vera-Cruz alertou para os perigos da forma como se vive e se rotula a pluralidade cultural dos continentes, chamando a atenção para a transformação das sociedades em «caixas de smarties».

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Também a forma como tantas vezes chegam as supostas ajudas a África foi assunto de explanação deste professor universitário, que declarou aos presentes que, quando é somente momentânea (como no caso das calamidades publicas), essa ajuda deixa um fosso nas populações depois de retirada, pondo em dúvida a eficácia do auxílio prestado.

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O conferencista abordou também a motivação dos portugueses em África, o que os movia no século passado e o que os move actualmente. Finalmente, e indo ao encontro da filosofia de Harambee, o Prof Vera-Cruz concluiu a sua exposição afirmando: «África precisa de educação».

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Terminado o encontro, em balanço francamente positivo de um serão bem passado, os presentes, quase em uníssono, deixaram uma pergunta no ar: para quando o próximo evento Harambee?

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