OS PROTAGONISTAS DO PROJETO «O VIVEIRO»

O projeto O VIVEIRO, que HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer ajudar a financiar em 2016, tem como protagonistas algumas meninas formadas nesta instituição, cada uma com uma história de vida muito própria, que serão as formadoras juniores deste projeto.

Liliana Carlos tem 18 anos, é órfã, e nasceu numa aldeia da província de Tete, em Moçambique. Quando foi morar para O VIVEIRO tinha 10 anos, mas já tinha a seu cargo o avô, que ajudava a sustentar com o produto do seu trabalho.

Em O VIVEIRO, aprendeu a ler e a escrever – e, como ela diz, aprendeu tudo.

Hoje, dirige um pequeno café onde trabalha diariamente, e com o qual se sustenta. Como formadora de outros jovens com as mesmas dificuldades que ela teve, poderá ensinar-lhes uma profissão, dando-lhes esperança para o futuro.

Eis o seu testemunho:

Liliana

“Chamo-me Liliana Carlos, tenho 18 anos, nasci em Mutarara. O meu pai morreu quando eu era criança. Eu tinha dois anos. Ele era um pescador, morreu na água. Foi um crocodilo que o matou. Eu fiquei com a minha mãe, os meus irmãos e os meus primos. Comecei a trabalhar, a minha mãe ensinou-me a pilar, cozinhar, varrer. Ia também à escola, na 3ª classe.

A minha mãe morreu quando eu tinha 9 anos, fiquei com o meu avô. Comecei a fritar bolinhos e ir ao mercado a vender. Quando eu voltava da escola, comprava farinha, peixe para fritar e logo à tardinha eu ia ao mercado para vender. De manhã, antes de ir à escola eu preparava o pequeno-almoço para o meu avô.

Com o dinheiro que eu ganhava no mercado, eu conseguia comprar cadernos, canetas, medicamentos para o meu avô, que estava doente.

Um dia, chegou na minha aldeia avó Lúcia [a responsável de O VIVEIRO]. Aquela senhora, que eu não conhecia, começou a explicar que estava ali porque havia um projeto de acolhimento de meninas órfãs. Quando chegámos, fomos acolhidas por outras meninas.

Graças a Deus, somos uma família. Gosto muito de estar no Centro. Quando cheguei ao Centro eu não sabia ler nem escrever, e avó Lúcia começou com “a-e-i-o-u”, o abecedário. Nós todas, as meninas, logo de manhã, depois de ter tomado o pequeno-almoço, sentávamos na sala de estudo e começávamos a receber aulas. Agora eu sei escrever, ler. Dantes, eu nem sabia falar com uma pessoa, dar conselhos: isto é bom, isto é mau. Aprendi tudo nO VIVEIRO, no Centro: como responder uma às outras, não ofender, não fazer isto, fazer aquilo, ajudar as mais pequenas.

Estou a frequentar a 10ª classe, com o ensino à distância e com exame externo. De manhã, estou na minha loja, a fritar bolinhos, fazer bolos, servir clientes. Se querem tomar pequeno-almoço, tomar um sumo… À noite participo nas aulas na nossa casa, O VIVEIRO, com avó Lúcia.

Sou eu que compro as coisas para a loja: batatas, sumos, sacos de arroz, sacos de farinha de trigo…

De manhã acordo muito cedo, pego no meu dinheiro, vou ao mercado, às 7.00 horas. As pessoas vêm aqui por volta das 10.00 horas. Sentam nas mesas, eu pergunto se eles querem tomar alguma coisa. Trabalho até 17.00 horas. Às 17.30 já estou a caminho para casa.

Tudo o que conheço o aprendi nO VIVEIRO, graças a Deus, que me deu a possibilidade de estar no Centro. Gostei de viver no Centro e de estudar na Escola Vale. Gosto também do meu trabalho, da culinária. Espero de ter sempre mais clientes.”

Anúncios

CAMPANHA AMIGOS DE HARAMBEE

Quer ser Amigo de Harambee e contribuir com 5 euros por mês para nos ajudar a ajudar as meninas de O VIVEIRO?

Com o seu contributo anual, poderemos pagar dois salários mensais às formadoras juniores deste projeto!

harambee
harambee

Como contribuir:

☼ dê uma ordem de transferência mensal no seu banco, ou através da Internet, para a conta de Harambee: IBAN: PT5000 1000 0047 8615 0000 172  (BPI)

ou

☼ junte o valor mensal no seu mealheiro doméstico e envie-nos o total anual por cheque à ordem de HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL para: Rua José Malhoa, 15 – cv dto. 2780-017 Oeiras

Contribua como puder!

TODOS JUNTOS, TODOS À UMA

cozinha solidária harambee: o começo de uma tradição

O passado dia 7 de maio começou a cimentar aquilo que promete transformar-se numa tradição de HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL: A Cozinha Solidária.

Cozinha Solidária 20161

Foram dez as participantes que, desafiando o mau tempo, se reuniram na Marina de Cascais, na COOKING MEMORIES da Chef Mónica Pereira, com o objetivo de juntar uma tarde bem passada à aprendizagem de novas técnicas e sabores, e à solidariedade com o projeto moçambicano de O VIVEIRO.

Cozinha Solidária 20162

Vencedora do Chef’s Academy 2014, Mónica Pereira – filha de moçambicanos, como salientou – quis juntar-se generosamente a este movimento de solidariedade com África, oferecendo uma aula de culinária no seu espaço, para a qual foi buscar memórias de gostos, sabores e cheiros da infância e da adolescência, combinando-as com a inovação, que é uma marca do seu estilo de cozinha.

Cozinha Solidária 20163

Cozinha Solidária 20164

As participantes neste encontro tiveram a oportunidade de «meter as mãos na massa», confecionando um delicioso frango com especiarias no forno, acompanhado por um surpreendente arroz de coco, e a seguir espetadas de camarão grande e ananás com molho de iogurte grego, ótimas para servir uma entrada aos amigos.

Cozinha Solidária 20166

No final, houve degustação dos produtos, com a promessa de envio das receitas para se fazerem em casa.

Com o produto desta atividade, HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL vai poder financiar um ordenado mensal a um formador sénior e um ordenado mensal a um formador júnior no novo projeto de O VIVEIRO. Valeu a pena!

Harambee na Primeira Liga do campeonato de futebol italiano

A equipa de árbitros da Primeira Liga de Futebol italiano esteve solidária com Harambee, ao entrar em campo, nos diversos jogos, envergando camisolas com o logótipo da associação. Tudo aconteceu na 30ª jornada do campeonato que se realizou no fim de semana de 19 e 20 de Março. Em todas as partidas as respetivas equipas de arbitragem usaram camisolas Harambee, enquanto no publico vários voluntários seguravam faixas apelando ao contributo de todos.

OS PROTAGONISTAS DO PROJETO «O VIVEIRO»

Rosa Chambuera (na fotografia, à direita, trabalhando o vime) será uma das formadoras juniores do projeto que HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer financiar em Tete, Moçambique.

Rosa tem 17 anos e, quando foi viver para O VIVEIRO, era uma menina que apenas tinha feito a instrução primária, que falava mal português, a quem tinha sido cortada uma perna devido a uma infeção, e cujas perspetivas de futuro eram extremamente limitadas, para não dizer lúgubres.

N’O VIVEIRO, foi incentivada a prosseguir a sua instrução, aprendeu um ofício, e está agora em condições de ser formadora de outros jovens, a quem pode dar novas perspetivas de vida.

Eis o seu testemunho:

grupo tapeçaria

“O meu sonho é continuar a estudar até 12ª e ao mesmo tempo abrir uma loja de tapeçaria em Chitima, perto da casa da minha mãe.
Eu aprendi tapeçaria em 2014 com a sra Jean Mizimbe, formadora do Malawi.
Em 2015 participei numa feira de artesanato no Distrito de Chifunde e cheguei em primeiro lugar. Depois participei numa feira provincial e a seguir numa nacional, em Inhambane.
As pessoas gostaram muito da minha produção e todos os objectos foram vendidos.
Eu gostaria que a minha loja fosse também uma escola para outros jovens, que querem aprender tapeçaria. Eu já posso dar aulas e orientar o trabalho dos outros.
Cada curso de tapeçaria contará com 10 jovens (rapazes e raparigas) da comunidade.
Para desenvolver esta actividade será preciso ter um carpinteiro que possa realizar a estrutura de madeira dos móveis.
O dinheiro que vai entrar pode servir para desenvolver a actividade, não só em Chitima, mas também a nível do Distrito e da Província.
Eu queria também reabilitar a casa da minha mãe e acolher, com o andar do tempo, meninas e meninos necessitados.”