Culinária Solidária: uma manhã bem passada!

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Tal como tinha sido prometido, a manhã de sábado, 21 de Novembro, foi muito divertida, solidária e serviu ainda para aprender como fazer uma «Cachupa à minha moda», que é como quem diz «à moda do Chef Miguel Gameiro».

O mote que serviu de base ao encontro solidário foi a culinária africana. O desafio foi lançado e todos os que compareceram puderam deste modo ajudar Harambee, aprendendo simultaneamente a fazer um prato tipicamente africano: a cachupa. O Chef Miguel Gameiro ofereceu generosamente esta aula de culinária e partilhou com os presentes, não só os truques e segredos da arte de cozinhar, mas também histórias pessoais, experiências e boa disposição.

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Miguel Gameiro revelou-se uma verdadeira surpresa na cozinha para quase todos os que estavam nesta «culinária solidária», e que não conheciam a sua faceta de Chef, já que nas canções o seu talento é sobejamente reconhecido por toda a gente!

Enquanto a Cachupa ia apurando, a presidente da direção, Maria José Figueiredo, dirigiu algumas palavras aos convivas, explicando, entre outras coisas, que um simples gesto solidário como o que ali estava a ser feito, significava na prática a preciosa ajuda  aos cuidados de saúde das crianças de uma aldeia africana durante 1 mês!

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No final todos tiveram oportunidade de degustar a fantástica «Cachupa à minha moda». A experiência foi tão bem sucedida  que no ar já ficou a promessa de uma nova aula de culinária solidária…muito em breve!

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Encontro Anual Harambee em Roma

 

Nos passados 6 e 7 de novembro, Harambee Internacional reuniu em Roma os representantes de todos os países onde trabalha – Espanha, França, Itália, Polónia, Suíça, Estados Unidos e Portugal – com dois objetivos: entregar os Prémios de Comunicação 2015 e proceder ao balanço anual das atividades da instituição e ao planeamento do novo ano.

 

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O Prémio Comunicar África foi entregue, na categoria de reportagem, a jovens realizadoras italianas, Claudia Palazzi e Clio Sozzani, pelo seu documentário Jeans & Martó, a comovente história de um jovem africano com uma enorme ânsia de saber que tudo sacrifica a esse desígnio.

Na categoria de video clip, o prémio contemplou, ex aequo: Federico Marangi, um jovem de dezassete anos, por Waves, com argumento original; e The Real Heroes, de Wojciech Sierocki e Marcin Kiszka, dois estudantes de medicina polacos que fizeram um estágio de voluntariado no Quénia e apresentam uma visão muito própria dessa experiência.

A cerimónia de entrega dos prémios foi precedida por um interessante debate entre dois jornalistas que se ocupam de temas africanos e um realizador premiado por um documentário sobre o tema do SIDA, que conversaram sobre essa complexa tarefa que é comunicar África.

Os filmes premiados podem ser vistos no brevemente aqui no site.

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No dia seguinte, as delegações nacionais de Harambee passaram uma parte do dia a receber formação sobre angariação de fundos e comunicação através da Internet. O resto do tempo foi dedicado ao relato das atividades levadas a cabo em cada país.

 Harambee África Portugal teve oportunidade de referir o jantar/conferência de março, bem como a conferência de agosto, para além do lançamento do novo site e respetiva newsletter e da presença nos média de Cátia Guerreiro, a porta-voz da instituição.

Até ao fim deste ano, Harambee África Portugal terá ainda uma importante e empolgante atividade de angariação de fundos – Culinária Solidária, com Miguel Gameiro – e porá à venda os seus postais de Natal.

encontro roma 2Para 2016, contamos desenvolver outras atividades de angariação de fundos e promover o financiamento de projetos nos países africanos lusófonos, um desiderato que não foi possível concretizar nos últimos anos.

MANHÃ DE CULINÁRIA SOLIDÁRIA

CARTAZ HARAMBEE CULINÁRIA SOLIDÁRIA

Miguel Gameiro, vocalista e mentor dos Polo Norte, tem também uma carreira como Chef de cozinha.
Nessa qualidade, Miguel Gameiro acedeu generosamente a colaborar com HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL, dando uma aula de culinária africana.

Venha saborear os cheiros exóticos de uma culinária tão rica como ainda quase desconhecida. Traga os amigos e venha aprender com o Chef Miguel Gameiro a confeccionar um prato tipicamente africano. Venha divertir-se! E venha ajudar-nos a ajudar África.

Data: sábado, 21 de Novembro, às 10:30h

Local: Lisboa – Azinhaga da Fonte Velha, 5, Paço do Lumiar (tem estacionamento gratuito)

Preço: 25,00 euros

Inscreva-se JÁ!

Por email: harambeeafricaportugal@gmail.com
OU
Preenchendo diretamente os dados em baixo:

TROQUE OS SEUS PRESENTES POR UM DONATIVO HARAMBEE!

Uma forma fácil e eficaz de contribuir  para a causa Harambee!

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Dê-nos o valor monetário dos seus presentes! Como? É muito simples: Se vai fazer anos, se vai celebrar um aniversário redondo de casamento, se vai batizar um filho ou um neto, e faz parte daquele grupo de pessoas que tem tudo e a quem os amigos têm de dar voltas e mais voltas à cabeça para encontrar um presente original e divertido, poupe-lhes esse trabalho: PEÇA-LHES QUE DÊEM O VALOR MONETÁRIO DOS SEUS PRESENTES A HARAMBEE!

Junte-se ao grupo dos muitos que têm adotado esta prática. Coloque um mealheiro à entrada da festa e peça-lhes que depositem ali o valor do presente que iriam dar-lhe, fazendo dele um contributo solidário que pode mudar em muito a vida de um africano.

Saiba que:

– com 25,00 euros paga 10 consultas médicas

– com 30,00 euros paga suplementos nutricionais mensais a 10 crianças subnutridas

– com 60,00 euros paga o material para um curso anual de costura a 10 mulheres

Afinal o que lhe serviria para comprar um extra dispensável pode pagar uma necessidade em África! AJUDE-NOS A AJUDAR!

BENEDICT DASWA, o primeiro beato da África do Sul

Benedict Daswa, o primeiro beato da Igreja Católica nativo da África do Sul, foi brutalmente assassinado a 2 de fevereiro de 1990, aos 44 anos, por se recusar a tolerar o recurso à feitiçaria, que tanto a sua fé como a sua atitude científica lhe proibiam.

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Tshimangadzo Samuel Daswa nasceu em 16 de junho de 1946 em Mbahe, uma aldeia situada a 30 km de Thohoyandou a principal cidade da antiga Venda Homeland, na província de Limpopo e Diocese de Tzaneen, na África do Sul. A família Daswa pertencia à tribo Lemba, uma tribo de judeus negros. Os pais de Samuel eram trabalhadores e empreendedores, e eram conhecidos pela sua hospitalidade e amabilidade.

Samuel Daswa, o mais velho de cinco irmãos, começou a sua instrução na escola primária Vondwe, em 1957, e completou o ensino secundário no liceu de Mphaphuli. Após a morte prematura do pai, assumiu a responsabilidade de cuidar dos irmãos, começando a trabalhar para lhes financiar os estudos e incentivando-os a aplicarem-se.

Num ano em que passou as férias em Joanesburgo com um tio, trabalhando em part-time, conheceu um jovem branco católico e fez amizade com vários rapazes shangaans que também eram católicos. Ao regressar a Mbahe, começou a receber aulas de doutrina. O catequista, um leigo chamado Bento Risimati, orientava a liturgia dominical e ajudava o sacerdote que vinha de Louis Trichardt uma vez por mês celebrar a Missa. Risimati, que após a morte de sua mulher foi ordenado padre, exerceu uma forte influência sobre Samuel.

Após dois anos de catequese, Samuel foi batizado em Mafenya, na paróquia de Sibasa, e escolheu Benedict como nome de batismo, inspirado no lema “Ora et labora”, de São Bento. Três meses depois, recebeu a confirmação das mãos de D. Clemens F. van Hoek, um bispo dominicano.

Tirou o curso de professor primário no Instituto de Formação de Vendaland e foi colocado na escola primária de Tshilivho, na aldeia de Ha-Dumasi; continuou a estudar por correspondência, com o objetivo de entrar na universidade.

Entretanto, colaborava com os catequistas e o padre da sua paróquia, e empenhou-se na construção da primeira igreja católica na área de Nweli. Foi secretário do conselho do chefe e confidente do chefe e fazia muitas vezes de mestre-de-cerimónias nas festas. Era conhecido por sua honestidade, veracidade e integridade; dizia o que pensava, não se deixando influenciar pelas opiniões populares.

A certa altura foi nomeado diretor da sua escola; era um líder honesto e destemido, que incentivava e apoiava a sua equipa de professores. O bem-estar dos alunos era a sua principal preocupação; quando algum deles faltava à escola, ia visitar a família, para ver se podia ajudar em alguma coisa. E, se algum estudante não podia pagar as propinas, dava-lhe trabalho na sua horta, a fim de o jovem ganhar o dinheiro necessário para esse fim.

Em 1974, Benedict Daswa casou-se com Eveline Monyai, de quem teve oito filhos. Ajudava a mulher nas tarefas domésticas – coisa totalmente inédita na época – e construiu uma casa de tijolos para a família. Também apreciava os desportos, tendo constituído duas equipas de futebol para jovens.

Em novembro de 1989, a área de Venda foi alvo de fortes chuvas e trovoadas, que a população considerava não se tratar de fenómenos naturais, mas serem resultado da atuação de um bruxo; começaram por isso a tentar identificar o responsável por aqueles acontecimentos. A 25 de janeiro de 1990, durante uma chuvada torrencial, caíram vários raios naquela zona e a comunidade reuniu-se para discutir o assunto, acordando em consultar um feiticeiro tradicional para identificar o bruxo.

Ao chegar à reunião, Benedict começou a argumentar com os presentes, tentando fazer-lhes ver que os raios eram um fenómeno natural, não sendo portanto causados por ninguém; mas esta explicação não os convenceu. Vendo que não conseguia demovê-los, Benedict recusou-se a participar na consulta ao feiticeiro, declarando firmemente que a sua fé o impedia de tomar parte em atividades de bruxaria. Esta atitude desagradou a muitos.

A 2 de fevereiro de 1990, teve de ir de carro a Thohoyandou, para levar a cunhada e o sobrinho, que estava doente, ao médico. No caminho de regresso, um homem que transportava um grande saco de milho e que morava numa aldeia ao lado de Mbahe pediu-lhe boleia para casa. Benedict chegou a Mbahe por volta das 19.30h e, depois de deixar a cunhada e o sobrinho em casa, disse à filha que ia levar o homem à aldeia dele e já voltava.

Ao regressar a casa, encontrou a estrada obstruída com troncos de árvores; quando saiu de carro, viu aproximar-se uma multidão de jovens e adultos, que começaram a apedrejá-lo. Ferido e a sangrar, fugiu a correr e foi abrigar-se na palhota de uma mulher. Quando a turba chegou diante da palhota, ameaçou a mulher de morte se não revelasse onde ele estava escondido. Ouvindo as ameaças, Benedict saiu de dentro da palhota e imediatamente avançou para ele um homem com uma moca na mão; percebendo o que ia acontecer-lhe, Benedict rezou: “Meu Deus, nas tuas mãos entrego o meu espírito”, recebendo logo em seguida um golpe fatal que lhe esmagou o crânio; em seguida, os agressores deitaram-lhe água a ferver sobre a cabeça.

A mulher foi a correr contar a Mackson, o irmão de Benedict, o que tinha acontecido. Depois de chamar a polícia, Mackson passou a noite a velar o corpo do irmão. Na sequência do inquérito ao brutal assassínio, foram presas algumas pessoas, mas não chegaram a ser condenadas, por falta de provas.

A missa de corpo presente teve lugar a 10 de fevereiro de 1990. A procissão saiu de casa de Benedict, em Mbahe, e seguiu para a igreja de Nweli. A missa foi concelebrada por vários sacerdotes que, de comum acordo, envergaram paramentos vermelhos, em reconhecimento do facto de que Benedict morrera pela fé e fora vítima da sua oposição à feitiçaria. A cerimónia foi acompanhada por muita gente, que depois seguiu o funeral até ao cemitério de Mbahe. A mãe de Bento, Ida Daswa, que se convertera pouco tempo antes da morte do filho, conseguiu comprar uma lápide para o túmulo com as suas magras poupanças.

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Em junho de 2008, teve início o processo de beatificação e canonização de Benedict Daswa a nível diocesano, concluído em julho de 2009. Benedict Daswa foi beatificado a 13 de setembro de 2015, no Santuário Benedict Daswa em Tshitanini, na província do Limpopo, em missa celebrada pelo cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, a que assistiram mais de 30.000 pessoas. O seu processo de canonização está em curso.

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Fontes:

http://benedictdaswa.org.za/; http://awestruck.tv/benedictdaswa/his-life/; https://en.wikipedia.org/wiki/Benedict_Daswa.

Ao longo dos anos, Harambee Internacional financiou três projetos na África do Sul, dois em Joanesburgo e um em Pretória.

Centro médico-social Walé

Yamoussoukro, localizada a cerca de 240 km da capital, Abidjan, é a segunda cidade da Costa do Marfim. É aqui que fica situado o Centro Médico-Social Walé, um hospital de dia que iniciou a sua atividade em outubro de 2004, apenas com um médico uma enfermeira, e que já contou com o apoio de Harambee Internacional.

Num país onde as carências em matéria de saúde são enormes, e onde os utentes dos hospitais públicos têm de pagar tudo, incluindo o sangue, as gazes e o tempo que passam na sala de espera, Walé pretende oferecer serviços médicos de boa qualidade a preços reduzidos.

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Neste hospital, as consultas dos adultos custam cerca de 1,50 euros e as das crianças 0,75 euros. Sendo pouco, ainda é muitíssimo para alguns deles, e está longe de financiar os custos reais dos serviços prestados, mesmo com cerca de 500 doentes por semana e uma média de 25.000 consultas por ano. O hospital conta ainda com um laboratório, onde se fazem mais de 40.000 análises por ano, com serviço de imagiologia, que realiza 3500 radiografias e ecografias, e ainda com cuidados de enfermagem e uma farmácia que vende os medicamentos a um preço inferior ao seu preço habitual.

Por isso, Walé é permanentemente deficitário, e anda constantemente à procura de apoios que lhe permitam manter-se e remunerar os seus 36 colaboradores efetivos; por exemplo, o equipamento de imagiologia e o laboratório de análises foram fruto de doações da cooperação europeia.

O que mais impressiona o visitante assim que entra em Walé é a ordem e o asseio (sobretudo depois do choque que é a visita a um hospital público). Os doentes são recebidos por uma assistente, que faz uma rápida triagem, de acordo com as queixas, e os envia para a sala de espera, mesmo ao lado. Em seguida, são atendidos por um dos nove médicos, residentes ou eventuais, das especialidades de clínica geral, pediatria e ginecologia.

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Uma das queixas mais comuns é a malária, que ainda mata mais de um milhão de africanos por ano. É frequente as pessoas chegarem a Walé num estado bastante depauperado – porque a malária afeta terrivelmente as forças físicas –, depois de terem percorrido a pé os vários quilómetros que separam a aldeia onde vivem deste centro médico.

Outra das valências deste hospital é o atendimento a doentes com VIH/Sida, nomeadamente em fase pré-natal, com tratamentos específicos destinados a evitar o contágio da mãe para a criança. Em 2005, Walé atendeu mais de 2500 doentes com VIH/Sida.

O hospital conta neste momento com a colaboração de dois doutorandos de medicina, e com uma internista que está a fazer a especialidade de ginecologia. Rose Segla trabalha em Walé cinco dias por semana, e estuda em Bouaké, uma cidade localizada a cerca de 100 km de Yamoussoukro, onde há hospital universitário. Concluída a especialidade, tenciona continuar a trabalhar neste centro hospitalar.

 

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Yamoussoukro é uma cidade bastante mais pequena e mais calma que Abidjan, com avenidas largas e pouco que fazer. Os habitantes dedicam-se essencialmente a uma agricultura muito básica, pouco mais que de subsistência, e vendem os seus produtos no mercado local.

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Dispõem por isso de muito poucos meios, e proporcionar-lhes cuidados de saúde de qualidade a um custo que lhes seja acessível é um sonho que só pode ser realizado com apoios exteriores.