PROJETO CABAZ MAMÃ REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

O PROJETO CABAZ MAMÃ, para o qual HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer contribuir este ano, já funciona há algum tempo, e tem trazido benefícios impressionantes às mulheres congolesas com maiores carências.

A Sra. Kalengela tem 41 anos e vende fruta no mercado. É casada com um professor primário e tem sete filhos. Os três filhos mais velhos, com 16, 15 e 13 anos, já saíram de casa dos pais para se fazerem à vida.

A média dos recursos mensais da família é de cerca de 100 euros.

Moram no bairro Herady, uma zona abrangida pelo Centro de Saúde MOLUKA, que é uma filial do Hospital de MONKOLE; é um sector muito isolado, situado numa depressão de terreno entre duas colinas.

Percorrem todos os dias mais de 3km para encontrar água potável.

É à luz de um candeeiro a petróleo que os filhos mais pequenos fazem os trabalhos da escola.

 

A Sra. Kalengela com os dois filhos, que nasceram saudáveis graças ao programa CABAZ MAMÃ

 

Toda a família frequenta o Centro de Saúde MOLUKA.

Numa informação porta a porta, a Sra. Kalengela ficou a conhecer o programa CABAZ MAMÃ, e aderiu imediatamente, embora tivesse dificuldade em pagar os 50 euros que são a participação da mulher neste programa.

Dois dias antes da data prevista para o parto, sofreu uma rutura pré-uterina quando estava em casa. Foi necessário enviar uma ambulância equipada para a conduzir ao hospital e lhe proporcionar todos os cuidados necessários.

Deu à luz gémeos, um rapaz e uma rapariga – Chako e Omba (o nome que se dá aos gémeos na sua tribo) – no dia 3 de fevereiro de 2016.

Após três dias no hospital, onde receberam todos os cuidados pós-natais, mãe e filhos estavam de saúde, para alegria de toda a família, e regressaram a casa no dia 7 de fevereiro.

II NOITE DE FADOS HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL

No passado dia 11 de fevereiro decorreu a II Noite de Fados Harambee África Portugal, desta vez no Arelho, em Óbidos. O evento contou com o esforço e a disponibilidades de muitas pessoas, organizadas pela Marta Roque Bilo, a Sofia Fonseca e a Margarida Santos. A Associação Cultural e Recreativa do Arelho, nas pessoas da Isabel, da Dulce Sousa e da Carla, apoiaram em tudo o que lhes foi solicitado.

fadista António Leitão aceitou o desafio e reuniu outros seis fadistas para abrilhantar a noite – Paulo Ribeiro, João Plácido, Cristina Cruz, Marcelino Ribeiro, Margarida Santos, Rogério Vieira –, bem como os guitarristas José Carlos Marona e Alberto Corga.

A sala encheu com a presença de mais de 260 pessoas, entre as quais tivemos o enorme gosto de contar com o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, cujo apoio a esta iniciativa agradecemos.

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O animado grupo juntou-se nesta noite solidária para angariação de fundos para os projetos que Harambee África Portugal quer apoiar em 2017: Projeto Cabaz Mamã, na Republica Democrática do Congo, e Projeto de Reinserção de Crianças e Jovens, no Togo.

O salão da Associação Recreativa do Arelho foi decorado para um verdadeiro ambiente de casa de fados, com as paredes forradas com quadros de fadistas e um palco muito florido. Este ambiente acolhedor resultou do generoso esforço de Fernanda Tanqueiro, Délia Mimoso, Sara Albano, Renata Albano, Jacinta Batista e Solange.

Após todos estarem sentados a degustar os petiscos, a vice-presidente de Harambee África Portugal, Sofia Marques apresentou a Associação Portugal e os projetos a apoiar em 2017, realçando a importância da aposta na saúde, com o acompanhamento de grávidas e recém-nascidos a partir do hospital de Monkole, com vista ao combate à mortalidade materno-infantil na República Democrática do Congo; bem como a aposta na formação e reinserção escolar e familiar de 40 crianças e 25 jovens de rua de Lomé, no Togo, dando-lhes ferramentas para poderem tornar-se profissionais independentes.

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Terminada a apresentação, apagaram-se as luzes e o ambiente aqueceu com os fados e os solos dos guitarristas. As participações dos artistas foram sendo intercaladas com o serviço de mesa, levado a cabo com o brio de voluntários como Camila Timóteo e colegas de escola, Alice Silva, Ana Margarida Evangelista, Délia Mimoso, e o grupo de jovens de Óbidos, que, diligentemente e sempre sorridentes, satisfizeram todos os pedidos de caldo verde, chouriço assado e vinho, entre outros acepipes.

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No fim da noite, satisfeitos com esta atividade solidária, alguns dos voluntários já estavam a pensar onde se poderá organizar a próxima Noite de Fados, um evento com verdadeiro espírito Harambee – Todos Juntos, Todos à Uma, em prol dos mais necessitados na comunidade global.

Harambee África Portugal agradecer igualmente ao fotógrafo Daniel Evangelista, à Casa de Fados de Santo Onofre Obiverde, a Anabela Pinto, que forneceu as plantas, à Judymeals, a Carla Cruz, Hélia Florista e Maria Margarida, sem quem este evento não teria sido possível, nem teria tido o brilho que efetivamente teve.

PROJETOS 2017

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HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL passou o ano de 2016 a dar-lhe a conhecer O Viveiro e o projeto que queríamos apoiar em 2017.

Graças a si, foi possível angariar uma parte importante do orçamento deste projeto, para o qual continuaríamos a trabalhar em 2017, contando também com o apoio de HARAMBEE INTERNACIONAL, que deu a sua aprovação ao projeto de O Viveiro.

Infelizmente, a situação política, social e económica que se vive atualmente em Moçambique tornou inviável a concretização a curto prazo dos sonhos das mesninas.

HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL entrevistou o Eng. Manuel Borges Abelho, moçambicano, coordenador de produção da instituição em Tete.

HAP – Eng. Abelho, conte-nos um pouco o que se passa em Moçambique.

MBA – Devido ao conflito político-militar que se regista em Moçambique, não existem condições seguras de movimentação de pessoas e bens de um lugar para outro. Como 90 % das matérias-primas necessárias para este projeto devem ser adquiridas em lugares distantes [embora nesta província], os necessários movimentos de pessoas acarretam muitos e graves riscos de vida.

HAP – Que mais dificuldades sentem?

MBA – Paralelamente ao conflito-político militar que se faz sentir em Moçambique desde o ano de 2015 [conflito que se agravou recentemente], existe outro grande problema, a crise financeira, que fez decrescer a economia moçambicana, criando uma carência ou ausência de divisas para o comércio interno e externo.

HAP – E que consequências tem esta situação para o projeto apresentado por O Viveiro?

MBA – Se avançássemos, teríamos de acarretar com perdas ou prejuízos [pondo em risco a instituição como um todo].

HAP – Decidiram por isso desistir do projeto?

MBA – Não desistimos. Continuamos a aguardar pelo melhor momento para a sua implementação.

Nestas condições, HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL decidiu aplicar os fundos angariados em outros dois projetos aprovados por HARAMBEE INTERNACIONAL para o ano de 2017.

São eles:

 

PROJETO CABAZ MAMÃ
República Democrática do Congo – Hospital Monkole

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Objetivo: reduzir as elevadas taxas de mortalidade materno-infantil através do acompanhamento de mulheres grávidas durante todo o processo da gravidez, no parto, e em possíveis problemas neonatológicos.

O acesso a consultas hospitalares e outros meios de diagnóstico e acompanhamento da mulher e do bebé é, em geral, muito reduzido nestas áreas; em consequência, a taxa de mortalidade das crianças e das mães é bastante elevada.

Com este projeto, pretende-se seguir um grupo de mulheres durante os 9 meses de gravidez, com uma consulta por trimestre, e facilitar-lhes as instalações do Hospital de Monkole para o parto, bem como a formação em higiene e alimentação e as vacinas do bebé.

Este acompanhamento tem o valor de 350 € por mulher com parto normal e 550 € com cesariana. Cada uma destas mães pagará 50 €, ficando os outros 300 € ou 500 € a cargo do Hospital de Monkole. Para este efeito, o Hospital de Monkole solicita um financiamento total de 40.000 €.

 

PROJETO DE REINSERÇÃO ESCOLAR E PROFISSIONAL DE CRIANÇAS E JOVENS DE RUA
Togo – Movimento MAREM

Objetivo: recolocar na escola (40 crianças) ou em escolas profissionais (25 jovens) crianças e jovens de rua entre os 8 e os 17 anos.

O Movimento de Ação para a Reinserção de Crianças Marginalizadas precisa de fundos para a aquisição de roupa e sapatos, e material escolar para as crianças que consegue reinserir nas respetivas famílias; de fundos para financiar o sustento e a formação profissional dos jovens que consegue instalar junto de mestres de formação profissional; e de fundos para os membros da associação acompanharem a formação destas crianças e destes jovens.

Para este efeito, o Movimento MAREM solicita um financiamento total de 18.000 €.

ATLETAS ITALIANOS SOLIDÁRIOS COM «O VIVEIRO»

No passado dia 2 de outubro, 21 atletas da associação desportiva italiana NATURALMENTE CASTELNUOVO vieram a Lisboa correr a Rock’n’Roll Lisboa Maratona e a Rock’n’Roll Lisboa Meia Maratona em apoio ao projeto de O VIVEIRO que HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer financiar em 2017.

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Este projeto, no valor de cerca de 20.000 euros, pretende capacitar profissionalmente jovens pobres do bairro Boroma, em Chitima, norte de Moçambique, permitindo-lhes criar pequenas empresas de artesanato e, no futuro, constituir uma associação de artesãos.

Serão formadoras juniores deste projeto cinco jovens que há vários anos recebem formação em O VIVEIRO, já se tendo tornado capazes de, por sua vez, serem formadoras.

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Durante os dias que passaram em Lisboa, os atletas da Associação NATURALMENTE CASTELNUOVO usaram em permanência a sua camisola solidária.

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OS PROTAGONISTAS DO PROJETO «O VIVEIRO»

O projeto O VIVEIRO, que HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer ajudar a financiar em 2016, tem como protagonistas algumas meninas formadas nesta instituição, cada uma com uma história de vida muito própria, que serão as formadoras juniores deste projeto.

Lúcia Hélder José Modesto é, de entre todas as meninas acolhidas em O VIVEIRO, a que tem um passado mais complicado. Lucinha tem 16 anos e nasceu em Tete, no norte de Moçambique. Quando foi morar para O VIVEIRO tinha 11 anos, era órfã de mãe e o pai tinha ido morar para Maputo com os filhos mais velhos, deixando-a com os pais dele. Como os avós maternos começassem a requerer a criança, os avós paternos só lhe permitiam sair de casa à noite, para trabalhar como escrava. Lucinha viveu vários anos fechada em casa e assistiu a episódios de grande violência, de tal maneira que tem uma lesão no coração.

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Quando foi morar para O VIVEIRO, e durante alguns anos, se ralhavam com ela na escola, tinha uma reação estranha, que a obrigava a deitar-se durante várias horas num estado de quase coma, com o coração a bater muito devagar e a respiração muito lenta. Graças aos cuidados que recebeu em O VIVEIRO, esta situação evoluiu para melhor, embora Lucinha continue a ter problemas de coração.

Quando começaram as aulas de costura, orientadas pelo Sr. Remígio (que vai ser formador sénior do projeto de 2017), Lucinha percebeu que queria ser costureira. Aplicou-se nas aulas e aprendeu a cortar e a coser à mão e à máquina, fazendo pegas, aventais, sacolas, chapéus e outros objetos. Percebeu também que gostava de ensinar o que tinha aprendido, acompanhando o trabalho das mais pequenas. Atualmente, é ela que organiza o espaço de costura de O VIVEIRO, quem marca os preços dos produtos para venda, e vai ser formadora júnior em 2017. Além disto, prossegue os estudos na escola secundária de Chitima, onde tem aproveitamento.

Lucinha, que descobriu que os materiais africanos têm tanto valor como os europeus, e cujo maior desejo é «ter uma vida normal», sonha fazer da costura um modo de vida – seja vendendo os seus produtos, seja como formadora –, e uma maneira de contribuir para a subsistência de O VIVEIRO.