PROJETOS HARAMBEE 2017

Em 2017, HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL pretende angariar financiamento para dois projetos africanos com enorme impacto na vida das pessoas: fazer baixar a mortalidade materno-infantil na República Democrática do Congo e recuperar crianças da rua no Togo.

 CABAZ MAMÃ

República Democrática do Congo

Entidade promotora:

Centre Congolaise de Culture de Formation et de Développement – CECFOR

Descrição:

Um estudo de 2013/14 situa a taxa de mortalidade infantil no Congo em 28 mortos por 1000 nados vivos e a taxa de mortalidade materna em 846 mortos em 100.000 partos. A despesa anual com saúde no país é de 24 dólares per capita, e as despesas médicas têm de ser pagas antecipadamente, quer nas estruturas públicas, quer nas privadas. Consequentemente, as futuras mamãs veem-se quase sempre obrigadas a confiar o acompanhamento da gestação e o parto a pessoas mal preparadas, em locais totalmente privados de condições higiénicas adequadas.

Atividade:

O projeto do hospital Monkole consiste em acompanhar 400 grávidas por ano, nos seus três dispensários, Eliba, Kimbondo e Moluka, localizados em zonas rurais. Este acompanhamento consiste na oferta de um Cabaz Mamã, no qual estão incluídos análises, ecografias, medicamentos e tratamentos preventivos contra a malária; está igualmente incluído o parto no hospital Monkole, bem como o apoio à criança no primeiro ano de vida, sem esquecer as vacinas.

O valor médio deste Cabaz Mamã é de 400,00 euros por grávida, dos quais as mulheres têm de pagar 50,00 euros.

Destinatários:

400 grávidas e 400 recém-nascidos.

Contributo de Harambee:

40.000, 00 euros

 

REINSERÇÃO SOCIAL DE CRIANÇAS DE RUA

Togo

 Entidade promotora:

Mouvement d’Action pour la Réinsertion des Enfants Marginalisés-MAREM

Descrição:

O fenómeno dos “rapazes de rua” é uma realidade crescente em Lomé. As causas são as contradições de um ambiente urbano difícil, onde não existem estruturas capazes de tutelar os menores. A isto juntam-se os problemas familiares: conflitos, ausência ou perda da autoridade dos pais, etc. Na zona em que opera a associação MAREM, contam-se 200 novos casos por ano de crianças entre os 8 e os 17 anos que fogem de casa; e continua a aumentar significativamente o fenómeno das crianças com menos de 10 anos.

Atividades:

MAREM WOEZON é o centro de acolhimento e identificação das crianças, cujas origens geográficas, étnicas e sociais são muito diversas. Uma equipa de especialistas analisa a história pessoal de cada um, com o objetivo de favorecer o respetivo processo de integração, quer imediata, quer através do centro residencial MAREM EMERA. Aqui, os rapazes passam uma média de dois anos, ao cuidado de uma equipa de educadores especializados, que se encarregam da sua educação integral e da preparação das famílias para as acolherem no final do percurso de recuperação. Os educadores continuam a acompanhar as crianças na delicada fase da reinserção, na escola ou no mundo do trabalho.

MAREM oferece assistência psicológica às crianças durante todo o período em que residem em EMERA, bem como nos dois anos que se seguem à reinserção, para evitar recaídas, ou seja, a cedência à tentação de voltar para a rua.

Destinatários:

40 crianças para reinserção escolar; 25 jovens para reinserção no mundo do trabalho.

Contributo de Harambee:

18,000 euros

 

AJUDE-NOS A AJUDAR:

https://harambee-portugal.org/como-colaborar/donativos/

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AGÊNCIA ECCLESIA NOTICIA PRÉMIO HARAMBEE

A Agência Ecclesia noticiou ontem o 7.º PRÉMIO HARAMBEE COMUNICAR ÁFRICA, que tem como objetivo divulgar uma imagem que reflita os conflitos, mas também as esperanças,
a riqueza e a diversidade das culturas e dos povos africanos, a fim de promover o conhecimento de um continente que é um bem para todos nós.

Podem concorrer a este Prémio, nas suas duas modalidades, profissionais da comunicação social e jovens até aos 25 anos. O prazo de entrega das candidaturas termina a 30 de setembro.

HISTÓRIAS BREVES DE MAIS ALGUMAS BENEFICIÁRIAS DO CABAZ MAMÃ

Judith, de 33 anos, tem um negócio de água potável em sacos para arredondar os fins de mês. O marido é militar e vivem numa zona muito isolada do bairro Masanga-Mbila, na comunidade de Mont Ngafula. Têm três filhos, de 2, 5 e 7 anos. Os dois mais velhos vendem chupetas na lota, e assim contribuem para o rendimento da família.

Judith teve os primeiros três filhos num centro do bairro, correndo por isso graves riscos, tanto para si, como para os bebés. Graças a uma amiga da igreja, soube da existência do programa Cabaz Mamã. Juntamente com o marido, decidiu beneficiar dos cuidados oferecidos e, desse modo, garantir o parto do quarto filho nas melhores condições. Frequentando o centro Eliba, recebeu durante toda a gravidez os cuidados necessários para si e para o bebé.

Três semanas antes da data prevista para o parto, sofreu um grave acesso de febre, devido à malária. Foi hospitalizada em Monkole e quatro dias depois nasceu uma menina, Candice, por cesariana. A pequena Candice nasceu de boa saúde e voltou para casa ao fim de três dias, tendo a mãe ficado ainda no hospital para receber tratamento.

Mimi, de 22 anos, vive em casa dos pais. A família tem um rendimento muito baixo e vive em condições bastante difíceis. O pai trabalhou durante algum tempo como segurança numa empresa local, mas perdeu o emprego quando a empresa fechou. Graças a uma tia, Mimi frequenta um curso de costura, o que lhe permite ganhar algum dinheiro com os trabalhos que faz para as clientes do bairro. Nunca frequentou a escola e aprendeu a ler com os amigos. Tem um filho de 2 anos, que nasceu num hospital, mas a correspondente fatura ainda está por saldar.

Quando ficou novamente grávida, Mimi aderiu ao programa Cabaz Mamã pedindo para pagar a sua parte em prestações, como lhe haviam aconselhado as enfermeiras de Kimbondo. No 5.º mês de gravidez, pagou a última parte do total de 50 euros que o programa exige às mulheres que a ele aderem.

Dado que vivia num bairro muito isolado, não pôde dirigir-se ao hospital quando as dores de parto começaram. Como foi obrigada a esperar pela manhã do dia seguinte para conseguir atravessar as ravinas que a separam de Monkole, a criança inalou líquido amniótico. Ao chegar, foi rapidamente conduzida ao serviço de Neonatologia para receber os cuidados necessários e, ao fim de cinco dias de acompanhamento da mãe e do bebé, a família voltou para casa. O custo de todos estes cuidados foi o previamente combinado: apenas 50 euros.

Filha única, Sandrine, que vende fruta da época na rua, ficou órfã de pai aos dois anos. Tem dois filhos, cujo pai é vendedor de produtos de charcutaria na lota. Vivem no bairro Herady, na área de saúde comunitária abrangida por Selembao onde passam por muitas dificuldades, sendo a falta de água potável uma das principais. O bairro também não possui estradas alcatroadas, o que torna difícil o acesso à cidade.

Sandrine inscreveu-se no programa Cabaz Mamã para dar à luz em condições melhores do que tivera anteriormente. A fim de pagar o montante exigido pelo programa Cabaz Mamã, recorreu ao sistema de prestações, que lhe permitiu pagar cerca de 10 euros em cada consulta pré-natal. Só no último mês de gravidez perfez o montante de 50 euros.

Entrou no hospital no dia 10 de maio de 2016 e deu à luz o pequeno Jonathan a 12 de maio, por cesariana. Ao fim de cinco dias de hospitalização, regressou a casa com o seu terceiro filho nos braços.

PROJETO CABAZ MAMÃ REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

O PROJETO CABAZ MAMÃ, para o qual HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL quer contribuir este ano, já funciona há algum tempo, e tem trazido benefícios impressionantes às mulheres congolesas com maiores carências.

A Sra. Kalengela tem 41 anos e vende fruta no mercado. É casada com um professor primário e tem sete filhos. Os três filhos mais velhos, com 16, 15 e 13 anos, já saíram de casa dos pais para se fazerem à vida.

A média dos recursos mensais da família é de cerca de 100 euros.

Moram no bairro Herady, uma zona abrangida pelo Centro de Saúde MOLUKA, que é uma filial do Hospital de MONKOLE; é um sector muito isolado, situado numa depressão de terreno entre duas colinas.

Percorrem todos os dias mais de 3km para encontrar água potável.

É à luz de um candeeiro a petróleo que os filhos mais pequenos fazem os trabalhos da escola.

 

A Sra. Kalengela com os dois filhos, que nasceram saudáveis graças ao programa CABAZ MAMÃ

 

Toda a família frequenta o Centro de Saúde MOLUKA.

Numa informação porta a porta, a Sra. Kalengela ficou a conhecer o programa CABAZ MAMÃ, e aderiu imediatamente, embora tivesse dificuldade em pagar os 50 euros que são a participação da mulher neste programa.

Dois dias antes da data prevista para o parto, sofreu uma rutura pré-uterina quando estava em casa. Foi necessário enviar uma ambulância equipada para a conduzir ao hospital e lhe proporcionar todos os cuidados necessários.

Deu à luz gémeos, um rapaz e uma rapariga – Chako e Omba (o nome que se dá aos gémeos na sua tribo) – no dia 3 de fevereiro de 2016.

Após três dias no hospital, onde receberam todos os cuidados pós-natais, mãe e filhos estavam de saúde, para alegria de toda a família, e regressaram a casa no dia 7 de fevereiro.

II NOITE DE FADOS HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL

No passado dia 11 de fevereiro decorreu a II Noite de Fados Harambee África Portugal, desta vez no Arelho, em Óbidos. O evento contou com o esforço e a disponibilidades de muitas pessoas, organizadas pela Marta Roque Bilo, a Sofia Fonseca e a Margarida Santos. A Associação Cultural e Recreativa do Arelho, nas pessoas da Isabel, da Dulce Sousa e da Carla, apoiaram em tudo o que lhes foi solicitado.

fadista António Leitão aceitou o desafio e reuniu outros seis fadistas para abrilhantar a noite – Paulo Ribeiro, João Plácido, Cristina Cruz, Marcelino Ribeiro, Margarida Santos, Rogério Vieira –, bem como os guitarristas José Carlos Marona e Alberto Corga.

A sala encheu com a presença de mais de 260 pessoas, entre as quais tivemos o enorme gosto de contar com o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, cujo apoio a esta iniciativa agradecemos.

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O animado grupo juntou-se nesta noite solidária para angariação de fundos para os projetos que Harambee África Portugal quer apoiar em 2017: Projeto Cabaz Mamã, na Republica Democrática do Congo, e Projeto de Reinserção de Crianças e Jovens, no Togo.

O salão da Associação Recreativa do Arelho foi decorado para um verdadeiro ambiente de casa de fados, com as paredes forradas com quadros de fadistas e um palco muito florido. Este ambiente acolhedor resultou do generoso esforço de Fernanda Tanqueiro, Délia Mimoso, Sara Albano, Renata Albano, Jacinta Batista e Solange.

Após todos estarem sentados a degustar os petiscos, a vice-presidente de Harambee África Portugal, Sofia Marques apresentou a Associação Portugal e os projetos a apoiar em 2017, realçando a importância da aposta na saúde, com o acompanhamento de grávidas e recém-nascidos a partir do hospital de Monkole, com vista ao combate à mortalidade materno-infantil na República Democrática do Congo; bem como a aposta na formação e reinserção escolar e familiar de 40 crianças e 25 jovens de rua de Lomé, no Togo, dando-lhes ferramentas para poderem tornar-se profissionais independentes.

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Terminada a apresentação, apagaram-se as luzes e o ambiente aqueceu com os fados e os solos dos guitarristas. As participações dos artistas foram sendo intercaladas com o serviço de mesa, levado a cabo com o brio de voluntários como Camila Timóteo e colegas de escola, Alice Silva, Ana Margarida Evangelista, Délia Mimoso, e o grupo de jovens de Óbidos, que, diligentemente e sempre sorridentes, satisfizeram todos os pedidos de caldo verde, chouriço assado e vinho, entre outros acepipes.

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No fim da noite, satisfeitos com esta atividade solidária, alguns dos voluntários já estavam a pensar onde se poderá organizar a próxima Noite de Fados, um evento com verdadeiro espírito Harambee – Todos Juntos, Todos à Uma, em prol dos mais necessitados na comunidade global.

Harambee África Portugal agradecer igualmente ao fotógrafo Daniel Evangelista, à Casa de Fados de Santo Onofre Obiverde, a Anabela Pinto, que forneceu as plantas, à Judymeals, a Carla Cruz, Hélia Florista e Maria Margarida, sem quem este evento não teria sido possível, nem teria tido o brilho que efetivamente teve.

PROJETOS 2017

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HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL passou o ano de 2016 a dar-lhe a conhecer O Viveiro e o projeto que queríamos apoiar em 2017.

Graças a si, foi possível angariar uma parte importante do orçamento deste projeto, para o qual continuaríamos a trabalhar em 2017, contando também com o apoio de HARAMBEE INTERNACIONAL, que deu a sua aprovação ao projeto de O Viveiro.

Infelizmente, a situação política, social e económica que se vive atualmente em Moçambique tornou inviável a concretização a curto prazo dos sonhos das mesninas.

HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL entrevistou o Eng. Manuel Borges Abelho, moçambicano, coordenador de produção da instituição em Tete.

HAP – Eng. Abelho, conte-nos um pouco o que se passa em Moçambique.

MBA – Devido ao conflito político-militar que se regista em Moçambique, não existem condições seguras de movimentação de pessoas e bens de um lugar para outro. Como 90 % das matérias-primas necessárias para este projeto devem ser adquiridas em lugares distantes [embora nesta província], os necessários movimentos de pessoas acarretam muitos e graves riscos de vida.

HAP – Que mais dificuldades sentem?

MBA – Paralelamente ao conflito-político militar que se faz sentir em Moçambique desde o ano de 2015 [conflito que se agravou recentemente], existe outro grande problema, a crise financeira, que fez decrescer a economia moçambicana, criando uma carência ou ausência de divisas para o comércio interno e externo.

HAP – E que consequências tem esta situação para o projeto apresentado por O Viveiro?

MBA – Se avançássemos, teríamos de acarretar com perdas ou prejuízos [pondo em risco a instituição como um todo].

HAP – Decidiram por isso desistir do projeto?

MBA – Não desistimos. Continuamos a aguardar pelo melhor momento para a sua implementação.

Nestas condições, HARAMBEE ÁFRICA PORTUGAL decidiu aplicar os fundos angariados em outros dois projetos aprovados por HARAMBEE INTERNACIONAL para o ano de 2017.

São eles:

 

PROJETO CABAZ MAMÃ
República Democrática do Congo – Hospital Monkole

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Objetivo: reduzir as elevadas taxas de mortalidade materno-infantil através do acompanhamento de mulheres grávidas durante todo o processo da gravidez, no parto, e em possíveis problemas neonatológicos.

O acesso a consultas hospitalares e outros meios de diagnóstico e acompanhamento da mulher e do bebé é, em geral, muito reduzido nestas áreas; em consequência, a taxa de mortalidade das crianças e das mães é bastante elevada.

Com este projeto, pretende-se seguir um grupo de mulheres durante os 9 meses de gravidez, com uma consulta por trimestre, e facilitar-lhes as instalações do Hospital de Monkole para o parto, bem como a formação em higiene e alimentação e as vacinas do bebé.

Este acompanhamento tem o valor de 350 € por mulher com parto normal e 550 € com cesariana. Cada uma destas mães pagará 50 €, ficando os outros 300 € ou 500 € a cargo do Hospital de Monkole. Para este efeito, o Hospital de Monkole solicita um financiamento total de 40.000 €.

 

PROJETO DE REINSERÇÃO ESCOLAR E PROFISSIONAL DE CRIANÇAS E JOVENS DE RUA
Togo – Movimento MAREM

Objetivo: recolocar na escola (40 crianças) ou em escolas profissionais (25 jovens) crianças e jovens de rua entre os 8 e os 17 anos.

O Movimento de Ação para a Reinserção de Crianças Marginalizadas precisa de fundos para a aquisição de roupa e sapatos, e material escolar para as crianças que consegue reinserir nas respetivas famílias; de fundos para financiar o sustento e a formação profissional dos jovens que consegue instalar junto de mestres de formação profissional; e de fundos para os membros da associação acompanharem a formação destas crianças e destes jovens.

Para este efeito, o Movimento MAREM solicita um financiamento total de 18.000 €.